Ele Comoveu-me Pela Segunda Vez

Não é frequente encontrar um escritor, autor de um romance que fale muito de sofrimento e pobreza do povo da sua aldeia.

O enredo de coisas inacreditáveis leva-nos a acreditar que são verídicas. Comecei a ler o Avô Capitão e passado poucas páginas senti a necessidade de continuar a leitura e, por isso, li o livro em pouco mais de 3 dias.

Ao terminar a leitura do romance Avô Capitão, a impressão com que fiquei é que a vida, a final de contas, não foi feita para ser vivida por gente humilde, por gente do povo pobre. A vida para estas pessoas, tirando a Fé, é nada. Aldeias semelhantes a Alqueidão das Contas, há imensas neste Portugal em que vivemos. Só não temos a sorte de ter um João Amado Gabriel em cada uma delas.

Gostei muito da quadra com que iniciou o seu romance:

Para espalhar a fome
Uma moda se inventou.
Quanto mais a fome aperta,
Mais se canta o  rei chegou.

Lembrei-me logo da quadra do poeta popular António Aleixo, escrita pouco tempo depois do fim da realeza em Portugal:

É triste que a gente veja
Tanta gente que não come.
O pão que a muitos sobeja
Matava bem essa fome.

Não faltam no seu romance personagens populares de que tanto gosto:

  • José Saforro e as suas profissões e a ingenuidade dos seus pensamentos. A sua filha mais velha, Maria da Purificação, que conseguiu comover-me por tudo o que aconteceu. As guerras fazem parte, são uma das figuras, dos quatro cavaleiros do Apocalipse.
  • Maria Pereira e o seu marido João Roque, exímio na arte de bater sola… mas o herói do seu romance é, sem dúvida, Manuel. Ele comoveu-me pela segunda vez.

Gostei do Avô Capitão. Faço votos para que a inspiração, que o entusiasmo criador, esteja consigo.

Muito Obrigado.

José Francisco Caetano