Regresso à Terra Natal

Pelas mãos de Jorge Reis Amado passaram vários romances  de Saramago. Mas foi o trabalho de revisão do romance “Avô Capitão” que o levou à sua terra natal – Alqueidão da Serra – onde não ia há cerca de 40 anos.

A felicidade existe…

Se do alto da sua autoridade teológica Teillard De Chardin pôde afirmar que “Dieu existe, je l’ai rencontré”, também eu, humilde terráqueo, não bafejado pela Graça, sou capaz de assegurar: “A felicidade existe, eu encontrei-a.

Pode ser assim a súmula do turbilhão de emoções que, a cada metro de rua calcorreado, me avassalava neste reencontro com a terra. O longo afastamento dos lugares terá pela certa potenciado esta explosão emotiva.

Em cada esquina, um novo encontro com alguém que, guardando ainda recordações de meus pais – de minha mãe –, me envolvia em sentido amplexo. Que bom ter estado com o meu primo Eduardo e a mulher, a Lúcia, com as minhas primas Adelaide e Natércia, com a Berta amiga, com a Dulce irmã do João e com a mãe, que me acolheram em sua casa, com a Clú e o Quico, e particularmente com a minha amiga “cibernética”, a Florbela, e com tantos outros aqui não nomeados e aos quais peço desculpa.

Também um abraço agradecido ao novo amigo António Gonçalves, da TVI, que com a esposa acolheu o desconhecido ao jantar na sexta-feira na Torre.

O segundo dia foi particularmente rico em reencontros com o passado – e eu não sou, estou certo, merecedor de tantos encómios.

Particularmente gratificante foi o encontro com o senhor padre Américo Ferreira – o “Senhor Prior” da minha juventude – que, lá está, reiterava a ideia de que eu, e sobretudo a minha mãe, éramos boas pessoas (palavras minhas). Faz bem ao ego ouvir tais coisas, mesmo se no nosso imo as achemos exageradas.

Pois bem, o culminar da jornada foi especial: O meu amigo João Gabriel lançava o seu primeiro livro, “Avô Capitão” – e que livro! –, e estava exultante, e eu por ele. Foram momentos mágicos aqueles, que traziam até nós, de mão beijada, o passado remoto.

O terceiro dia foi quase por inteiro reservado para a minha outra terra – o Reguengo do Fetal –, berço de minha mãe. E o encantamento prolongou-se no reencontro com a minha prima querida – a Odete –, que em família alargada festejava o aniversário do filho Hélder: mais outra surpresa feliz!

Antes fora o encontro com os primos António, Lurdes, do Reguengo, e, do Vale do Freixo, o Alberto, a São e o Mário, o Armindo, definitivamente regressado da África do Sul,

Quem ler estas linhas que me perdoe a adjetivação excessiva, a que, não sendo meu apanágio, não pude fugir.

À irmã do Hélder, a Margarida, da Rádio Batalha, um especial beijinho.

Jorge Reis Amado